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Como Montar um Video Wall

montar um video wall
Escrito por Eric Vazzoler

No post “Saiba o que é Video Wall” apresentamos os conceitos, exibimos alguns exemplos, mostramos os possíveis formatos e também falamos sobre a espessura das bordas deste sistema espetacular, também conhecido como display wall.

E como havíamos prometido, neste post mostraremos como montar um video wall na prática. Há mais de uma maneira de fazer este sistema, e ao final deste post, você será capaz de decidir qual delas se adapta melhor às suas necessidades.

Boa leitura.

Como funciona o video wall

Para montar um video wall é necessário utilizar um processador de vídeo, também conhecido como distribuidor ou controlador de videowall.

Este processador pode estar embutido em telas profissionais de video wall, pode ser um equipamento autônomo específico, um computador com uma ou mais placas de vídeo ou pode ser também um sistema de alto desempenho de video wall.

A função do processador é bem complexa. Ele deve interpretar o sinal de vídeo recebido, recortar as regiões da imagem que cada tela irá exibir, remontar o protocolo do vídeo para as diversas partes e então enviá-las para cada uma das telas que compõe o video-wall. Tudo isto de forma sincronizada para termos o efeito de uma única tela exibindo a imagem.

É por isso que não é possível fazer um video wall utilizando apenas splitters, ou divisores de vídeo.

E para termos uma ideia de valores, enquanto é possível comprar um splitter HDMI 1×4 por volta de R$300,00, um processador autônomo para fazer video wall com 4 saídas vai sair em torno de R$7000,00.

Como montar um video wall

Como já mencionamos acima, há quatro métodos principais de montar um video wall.

Utilizando telas profissionais de video wall (monitores LFD)

Este é, sem dúvida, a opção mais comum e apropriada para aplicações de sinalização digital.

Atualmente há vários fabricantes grandes de TV que possuem modelos de monitores profissionais LFD com a função de video wall. Nestes monitores, o processador de vídeo já está embutido nas telas.

Devido a demanda cada vez maior desta aplicação, os preços dessas telas estão cada vez mais acessíveis e já está valendo mais a pena comprar as telas profissionais do que comprar um video processor autônomo.

Porém, as vantagens de um monitor LFD vão muito além do preço. Há diversas características que uma tela doméstica não possui, como por exemplo:

  • Bordas muito mais finas, resultando em um efeito melhor na imagem do video wall;
  • Desenvolvido para funcionar 24/7, com vida útil superior (TVs domésticas são projetadas para funcionar de 6 a 8 horas por dia)
  • Possuem alto brilho para ambientes mais claros;
  • Calibração de cores para não ter diferenças entre as diversas telas do video wall;
  • Suportes de video wall desenvolvidos especificamente para aquele modelo de tela.

Além disto, a conexão de um sistema video wall feito com telas profissionais também é mais simples do que os outros modelos, como mostramos no diagrama abaixo:

video wall LFD diagrama

A fonte do vídeo se conecta diretamente na primeira tela do sistema que envia o sinal para a segunda tela e assim por diante. Este “encadeamento” de telas é chamado de “daisy chain”. O protocolo de vídeo utilizado por estas telas geralmente são DVI, HDMI ou DisplayPort.

Além do cabo de vídeo, em algumas telas também é necessário conectar um cabo RS-232 entre elas. Esta conexão serve para trocar informações de configuração.

É necessário configurar as telas, apontando o tamanho do video wall (quantas linhas e quantas colunas), posição de cada tela na matriz, entre outros fatores. Geralmente, esta configuração pode ser feito através do controle remoto, tela por tela, ou conectando um computador às telas, podendo configurar todas ao mesmo tempo através de um software fornecido pelo fabricante.

Eu não testei todos os modelos de telas de todas as marcas, por isso não sei todas as características e funções de cada marca. Por isso, na hora de comprar uma tela, baixe o seu manual e veja se o modelo tem todos os requisitos que você está procurando.

Utilizando processadores simples e autônomos de video wall

Se você já possui as telas que quer utilizar para montar um video wall e elas não são monitores LFD profissionais com esta função, então a melhor coisa a se fazer é comprar um processador simples para fazer o video wall.

Estes aparelhos também foram feitos para funcionar 24/7 e de forma autônoma, ou seja, uma vez configurados, irão funcionar sem a necessidade de interação humana (diferentemente de computadores).

processador video wall autonomo

Neste ponto é importante saber o modelo correto que você precisa adquirir, para não comprar o equipamento errado. Os termos mais usados para este aparelho são: processadores, controladores ou distribuidores de video wall, e custam em torno de R$7000,00.

Não confundir com o splitter ou matriz HDMI, cuja função é apenas replicar o mesmo sinal de vídeo.

O diagrama abaixo ilustra como é a conexão necessária para este método:

video wall processador diagrama

Uma vantagem deste método em relação às telas com processador embutido é a questão da flexibilidade da configuração (apesar que alguns modelos de telas profissionais também têm esta flexibilidade).

Há modelos de processadores autônomos que possuem um software de configuração com diversas opções, podendo até ser utilizado para montar mosaicos de video wall.

video wall formato diferente

Utilizando computadores com placa de vídeo

Esta opção tem o mesmo objetivo dos processadores autônomos, ou seja, montar um video wall com telas não-profissionais. Neste computador, são colocadas duas placas de vídeos com duas ou mais saídas de vídeo em cada uma.

Na minha visão, a única vantagem deste método em relação aos processadores autônomos, é a disponibilidade de compra de um computador e das placas de vídeo, pois não temos muitos modelos de processadores autônomos aqui no Brasil.

Utilizando processadores de alto desempenho

Quando seu objetivo é criar video walls mais complexos, com formatos diferenciados, e matrizes muito grandes, ou para utilizar em salas de controles (COS, CMI, CCO, etc), então você deve adquirir sistemas de processamento de alto desempenho para video wall.

Utilizando estes processadores, é possível montar um video wall com um grande número de telas, recebendo imagens de diversas fontes diferentes, podendo ter formatos assimétricos e tudo isto sendo configurado através de um software específico e completo. O vídeo abaixo mostra a montagem de um destes sistemas:

Dificilmente esta será a opção mais adequada para um projeto de digital signage, tanto pela complexidade, quanto pelo preço.

Sobre o Conteúdo do Video Wall

Outro aspecto que você precisa estar ciente nestes projetos, é em relação ao conteúdo que será exibido no video wall.

Se a matriz de telas for quadrada (2×2, 3×3, 4×4…), ou seja, o número de linha de telas é igual ao número de colunas de telas, então o aspect ratio do sistema é igual ao aspect ratio de uma única tela, sendo assim, não é necessário criar um vídeo específico para aquele video wall.

Se você não sabe o que é aspect ratio, veja nosso post que fala sobre o assunto.

Exemplo de matriz 3x3

Exemplo de matriz 3×3

Agora, se a matriz não for quadrada (1×2, 1×3, 2×1, 3×1…), então será necessário produzir um conteúdo específico para este sistema, para que não haja perdas ou distorções na mídia exibida.

Exemplo de uma matriz 1x5, com telas na vertical

Exemplo de uma matriz 1×5, com telas na vertical

No próximo post sobre este tópico, iremos mostrar como produzir um conteúdo para um video wall não convencional, ou seja, com uma configuração 1×2, 1×3, 1×4 ou 2×1, 3×1 e 4×1. Fique ligado!


Recentemente, uma empresa que desenvolve e fabrica monitores de video wall criou um blog específico sobre o assunto, o “Universo Video Wall”. Já tem bastante informações interessantes a respeito desta tecnologia. Se você está considerando realizar um projeto de video wall, é sempre bom estudar o máximo possível antes de fazer as compras.

Esperamos ter ajudado. Até a próxima.

Sobre o autor

Eric Vazzoler

Engenheiro eletricista formado pela UFSC. Líder do departamento de desenvolvimento de Hardware e da produção eletrônica na Progic Tecnologia.

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